Carlson Gracie e a tentativa de transportar no avião seu melhor brigador para o “UFC dos galos”

Charge “Galo de Avião” – por David Carvalho

Fã inveterado de brigas de galo, Carlson Gracie uma vez comentou com seu faixa-preta Allan Góes que um de seus sonhos era le-var seu melhor animal para competir no Ultimate dos galos, uma rinha localizada numa pequena cidade próxima a fronteira entre o México e os EUA. Allan não perdeu a piada: “Só se for de navio, como é que vai levar um galo no avião? Poderoso, hein, Carlson!”.

Alguns meses depois, Allan foi convidado para enfrentar o americano Frank Shamrock no evento japonês Pancrase e levou o mestre Carlson como seu corner. Para diminuir os efeitos do fuso (12 horas entre Rio e Los Angeles, seguido de mais 10 horas até Tóquio), Góes decidiu viajar com maior antecedência, passando uma semana na casa de um amigo em Los Angeles, antes de embarcar para o Japão. Na hora de despachar as bagagens, porém, Carlson surpreendeu o aluno ao despachar uma mala pequena e entrar no avião com uma bagagem de mão que fugia aos padrões dos outros passageiros.

“Que isso Carlson! Vai fazer feira nos EUA?!”, brincou o faixa-preta, referindo-se à sacola de feira lacrada com silver tape, que obviamente não coube no bagageiro e acabou tendo de ser acomodada pelo mestre abaixo da poltrona do aluno.

Logo após o jantar, os comissários apagaram as luzes e os passageiros já reclinavam seus assentos para dormir, quando Allan ouviu um “ronco” diferente: “có-có-có”. Ao perceber os olhos arregalados do mestre, com cara de criança arteira, Allan não se segurou: “Carlson! Não estou acreditando que você trouxe um galo no avião!”. No que o mestre responde: “Fala baixo, poderoso! Dei um remédio para ele dormir, mas acho que está passando o efeito”. Incrédulo, Allan avisou: “Você é doido, Carlson?! Se descobrirem esse bicho aqui, a gente vai ser expulso do avião. Pior que a sacola tá debaixo do meu assento. Eu ainda posso ser deportado!”.

Diante da gravidade da situação, e do aumento dos piados, o mestre percebeu que não haveria outra alternativa. Num misto de revolta e tristeza, se rendeu às pressões do aluno e partiu com a sacola barulhenta para o banheiro da aeronave, onde abateu seu melhor brigador e o depositou na lixeira.

Allan tentava consolar o mestre pela perda irreparável, quando ouviu uma passageira gritar chamando a comissária: “Oh, my God! There is a big chicken in the toilet garbage!”.

Apesar de todo o risco que podia correr, o faixa-preta não conseguiu conter a curiosidade. Allan se levantou e foi conferir a cena de perto. E é ele que conta o que viu: “As patas do galo estavam para fora da lixeira, quase impedindo a entrada no banheiro. O Carlson conseguiu transformar o banheiro do avião num galinheiro, tinha pena para todos os lados. Foi inacreditável aquela viagem, mas graças a Deus ninguém desconfiou e chegamos sãos e salvos em Los Angeles”.

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Source: Portal

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