Paquetá, melhor amigo de Carlson, na mira da ‘Yakusa’ na época do Pride

Osvaldo Paquetá e Carlson Gracie formavam uma grande parceria – Foto: Marcelo Alonso

Amigo inseparável e faixa-preta de Carlson Gracie, Osvaldo Gomes da Rosa, o Paquetá́, sempre foi uma das figuras mais queridas do mundo marcial carioca. Funcionário publico aposentado, com um ótimo salário, Paquetá́ se transformou no cinegrafista oficial do Jiu-Jitsu nos anos 90.

Após as competições ele passava as manhãs entregando fitas em dezenas de academias entre Rio e Niterói. Quem tivesse dinheiro contribuía com seu trabalho, quem não tivesse, bastava um bom papo, que receberia sua fita com o mesmo sorriso.

Com a explosão do UFC e outros eventos menores de Vale-Tudo, a demanda pelos serviços da Paquetá ́s vídeos aumentou de maneira exponencial. Afinal, todos sabiam que o melhor amigo de Carlson era o primeiro a receber as fitas daqueles lutadores que tanto ajudara e que faziam questão de presentear o bom velhinho com a fita VHS de suas lutas.

Em 1997 surgiu o Pride e eu acabei entrando no circuito. Paquetá́ sabia que meu amigo e fotógrafo japonês, Susumu Nagao, me enviava de presente todas as fitas via sedex na semana subsequente ao evento. Paquetá́ sabia que eu não negaria um pedido seu, e aos poucos ele acabou virando uma espécie de distribuidor não oficial do Pride no Rio de Janeiro a partir das copias do Nagao.

Em menos de dois anos, o Pride cresceu e passou a ser comercializado, e obviamente as fitas “não oficiais” passaram a ser um problema para o evento japonês. Um dia, Nagao me ligou bastante tenso dizendo que um diretor do Pride havia entrado em contato com ele perguntando se era ele quem mandava fitas para o pirata brasileiro. Curioso é que já tinham até um “retrato falado” do meliante, segundo ele “um nissei que se chamava ‘KQK’ e morava em Brasília.

Não precisava ser nenhum gênio para matar aquela charada. Tive que me fazer de desentendido para acalmar o Susumu. Mas, de fato, logo que desliguei o telefone me dei conta da seriedade da situação. Afinal, nos bastidores, todos sabiam que o Pride tinha ligações estreitas com a perigosa máfia japonesa Yakusa.

Temendo pela segurança de Nagao, resolvi ligar para Paquetá́ e explicar o ocorrido. Mas, conforme imaginava, meu amigo, cabeça dura como Carlson, disse que não havia hipótese de ser ele. “O cara mora em Brasília. É Nissei e tem outro nome. KQK não tem nada a ver com Paquetá”. Alertei a ele sobre os perigos de vida que Nagao poderia correr diante da máfia japonesa e até ele mesmo, tendo em vista as ramificações daquele grupo criminoso no mundo todo, mas de nada adiantou.

Foi então que resolvi pregar uma peça no meu amigo. No dia seguinte, liguei para ele, e ao atender incorporei um clássico Yakusa do cinema. “Please, Mr. KQK!!!”. Com a voz tensa, ele respondeu em português fluente. “Não tem nenhum KQK aqui, meu nome é Osvaldo”. Como bom Yakusa me fiz de desentendido e continuei aquele papo de maluco aumentando o tom. “KQK, Yakusa mata! No Tapes! No more tapes”. O velhinho retrucou desligando na minha cara “Não tem KQK aqui, ô cara, o senhor ligou errado”.

O fato é que depois do episodio, Nagao parou de me enviar as fitas do evento, mas o cameraman mais amado do mundo das lutas continuou fazendo a felicidade dos fãs do Pride, agora municiado pelos brasileiros que lutavam no show.

Em agosto de 2011 (quatro anos após o fim do Pride), Susumu Nagao veio ao Rio cobrir a primeira edição do UFC na cidade e tive a oportunidade de reunir os dois e revelar as verdadeiras identidades do “terror da Yakusa” e do “falso mafioso japonês” matando os dois de tanto rir. Desde então, passei a chamar meu grande amigo pelo codinome dado pela Yakusa: KQK

Um ano depois, no dia 3 de agosto de 2012, nosso eterno KQK, dono do maior acervo de lutas do Brasil e também de um dos maiores corações que já́ conheci, sofreria um infarto fulminante, falecendo aos 72 anos de idade.

Esta e mais de 100 outras histórias dos bastidores do mundo da luta estão no livro “Por Trás Do Octógono” – escrito pelo jornalista Marcelo Alonso em parceria com o Canal Combate -, que está disponível para compra nas principais lojas do país, assim como o livro “Do Vale Tudo ao MMA – 100 Anos de Luta”. Confira nos links abaixo:

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Source: Portal

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