Marlon Sandro faz campanha para disputar cinturão do Pancrase em revanche contra Nazareno Malegarie: ‘Desta vez vou finalizar ou nocautear’

Aos 40 anos, Marlon Sandro garante que ainda tem muita lenha para queimar – Foto: Leonardo Fabri

Para muitos atletas a casa dos 40 anos representa o fim da carreira. Para Marlon Sandro, que completou 40 em março deste ano, parece que ela está apenas no início, embora já tenha feito 37 lutas como profissional. Além da fome pela competição, o atleta da Nova União tem um objetivo que o motiva a treinar como se fosse um iniciante: o cinturão peso-pena do Pancrase.

Marlon Sandro foi campeão do evento japonês entre 2008 e 2010, tendo que devolver o título quando assinou contrato com o Bellator. Em dezembro do ano passado, ele voltou ao evento, nocauteou o anfitrião Koyomi Matsuashima e recebeu a promessa de que seu próximo desafio seria pelo cinturão. Embalado pela rápida vitória no Shooto Brasil no último mês, Marlon Sandro cobra para que a promessa seja cumprida.

“Quando eu nocauteei na minha última luta no Pancrase o presidente do evento veio falar comigo e disse que me daria a chance de lutar pelo cinturão. Vai fazer um ano e até agora essa oportunidade ainda não apareceu. Estou acostumado a lutar no Japão, onde me sinto em casa, então quero retomar o cinturão, que tive que devolver quando saí para o Bellator. Agora que voltei, acho que mereço a chance de lutar por ele novamente”, explicou o brasileiro, que caso tenha sucesso na campanha, deverá enfrentar o argentino radicado no Brasil Nazareno Malegarie, atual campeão do Pancrase. “Não quero lutar só porque é o Malegarie, eu quero porque ele tem está com o cinturão. E ele já está falando muito. Quero que ele saiba que eu vou pegar ele de novo, mas desta vez não vai ser por pontos, eu vou finalizar ou nocautear”.

Marlon Sandro e Nazareno Malegarie se enfrentaram em julho de 2011, pela 47ª edição do Bellator. O brasileiro levou a melhor por decisão unânime depois de três rounds de luta. O possível segundo capítulo deste confronto já está começando a ser escrito através das redes sociais, onde os pesos-penas já começaram a se provocar. Confira na imagem acima.

Veja abaixo o bate-papo completo com Marlon Sandro, que também falou da emoção de ter vencido na luta principal do Shooto Brasil na inauguração da Arena da Nova União e cobrou a Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu por não ter regularizado a sua carteirinha, o impossibilitando de competir em eventos da modalidade.

Em sua última luta Marlon Sandro, “O Gladiador”, entrou para lutar acompanhado de seus mascotes – Foto: Leonardo Fabri

PVT: Você finalizou o Diego Akita na sua última luta, pelo Shooto Brasil, na Arena Upper, que estava lotada de familiares, amigos e companheiros. Conta para gente o que passou pela sua cabeça nesse momento marcante.

Marlon Sandro: Lutar no Shooto foi uma responsabilidade enorme. Além de ser a minha casa, por eu estar ali com a minha galera, eu tinha a responsabilidade de ganhar… Imagina eu, que dou tantos conselhos para uma molecada que estava lá, fazer uma luta feia… E eu lutei contra um atleta que é muito duro, um cara renomado, que quem acompanha o MMA conhece muito bem. Foi rápido, mas não foi fácil. Eu tinha que mostrar meu trabalho ali, mostrar o que funciona.

Além disso, a minha mãe estava lá, e ela nunca havia visto a minha luta. Ela sempre fica nervosa. Na verdade ela já estava nervosa no dia da pesagem. Passei na casa dela para pegar minha comida e ela estava muito nervosa, se tremendo toda, então eu estava mais pensando na minha mãe do que na própria luta. Ainda bem que eu estava de máscara quando entrei, porque eu chorei de emoção ao ver meus filhos entrando comigo, de escutar a música do “Coração Valente”, que me inspira muito, me deixa como um verdadeiro guerreiro. Realmente eu estava feliz, contente por estar trabalhando.

PVT: Agora você está fazendo uma campanha forte nas redes sociais para disputar o cinturão do Bellator. Explica isso para gente.

Marlon Sandro: Quando eu nocauteei na minha última luta no Pancrase o presidente do evento veio falar comigo e disse que me daria a chance de lutar pelo cinturão. Vai fazer um ano e até agora essa oportunidade ainda não apareceu. Estou acostumado a lutar no Japão, onde me sinto em casa, então quero retomar o cinturão, que tive que devolver quando saí para o Bellator. Agora que voltei, acho que mereço a chance de lutar por ele novamente.

Marlon Sandro e Nazareno Malegarie se enfrentaram em 2011 pelo Bellator – Foto: Sherdog.com

PVT: Curiosamente o atual campeão é o Nazareno Malegarie. Vocês já lutaram uma vez, existe uma história, então é um duelo que pode ser interessante para um evento.

Marlon Sandro: Não quero lutar só porque é o Malegarie, eu quero porque ele tem está com o cinturão. E ele já está falando muito. Quero que ele saiba que eu vou pegar ele de novo, mas desta vez não vai ser por pontos, eu vou finalizar ou nocautear.

PVT: Você está com 40 anos. Tem lenha para queimar até quando?

Marlon Sandro: Não ligo muito para a minha idade, não. Tenho 40 anos, mas tenho disposição de um menino ainda, me sinto um garoto. Muitos não sabem, mas até o Dedé mesmo falou que acreditava que eu ia lutar só até os 40, e já vou passar para mais um ano e estou aqui. Estou com um nutrólogo, Luís Osório, e pelos exames que eu fiz, ele disse que eu tenho muita lenha para queimar, que ainda estou um garoto. Estou acreditando nos médicos, faço preparação física na CDPD com o Orlando Folhes. Lógico, tudo feito direito, nada feito igual a um louco, até a minha alimentação durante os camps, o que eu não fazia antigamente, estou controlando. Não penso na minha idade… Por mim, pode colocar um garoto de 18 anos que eu vou sair na porrada do mesmo jeito, a experiência vai contar. Na verdade eu estreei velho já, com 28 anos, quase 29, então não esquento a minha cabeça com isso. Sempre fui atleta, desde os 17 anos eu treino… Treinava capoeira e sempre treinei Jiu-Jítsu. Por eu ter ficado um bom tempo sem lutar no Brasil, muita gente pensou que eu tinha me aposentado. Não me aposentei, não, galera. Tenho muita coisa para melhorar, sei que tenho capacidade para isso, minha idade não vai pesar, é até melhor pela experiência. Lógico, respeitando os limites do nosso corpo, mas sabendo trabalhar direitinho a gente consegue chegar lá e ganhar o cinturão do Pancrase contra o Malegarie ou contra qualquer outro.

PVT: Mesmo sem previsão para pendurar as luvas, você já tem planos para depois que isso acontecer: O próprio Dedé aponta você como um dos substitutos dele à frente da equipe, além de você ser corner de vários companheiros de treino.

Marlon Sandro: Ainda não sei o que vou fazer quando me aposentar, mas que eu seja um grande empresário, que eu ganhe bastante dinheiro, porque com a luta eu não estou ganhando, não (risos). Eu gosto de ficar no corner, gosto de ficar ajudando a galera, a galera tem confiança em mim. Sei que não faço milagre, mas uma das coisas que eu tenho é passar confiança, e quando você passa confiança para a pessoa, você tem crédito para ser corner, tanto que faço corner do Aldo, do Hacran, do Thales, do Leo Santos… Como sou corner de grandes nomes do MMA do mundo, acredito que eu tenho capacidade de falar com uma pessoa que está começando. Estou construindo essa carreira também, lógico que tenho muita coisa para aprender, a gente nunca sabe tudo, mas tenho consciência de que eu posso ajudar todo mundo.

PVT: Seu próximo desafio agora é uma luta de Boxe na praia contra seu amigo de longa data Aloísio Dado. O que a galera pode esperar, além de muito calor neste inverno carioca?

Marlon Sandro: Já lutei o estadual de Boxe, treino Boxe há muito tempo. Vou lutar com um cara que é meu amigo, que eu gosto muito, que eu sempre converso. Vai ser uma luta normal, a porrada vai comer do mesmo jeito. E claro, quando acabar, a amizade vai continuar do mesmo jeito.

Marlon Sandro usou o Jiu-Jítsu para finalizar Diego Akita em sua última luta – Foto: Leonardo Fabri

PVT: Você é oriundo do Jiu-Jítsu, já disse que gostaria de se manter na ativa competindo no tatame. Por que não está conseguindo?

Marlon Sandro: Aceitei essa luta de Boxe na praia para me manter ativo, mas a ideia era lutar um campeonato de Jiu-Jítsu, mas não consegui. Eu também pensei em lutar o brasileiro sem quimono, mas estou tendo um problema com a federação. Não sei o que está acontecendo, mas eles não estão reconhecendo a minha carteirinha. Acho isso uma injustiça. Eu não surgi do nada, eu luto há muito tempo, represento a bandeira do Jiu-Jítsu no MMA, e não é me favorecer, me beneficiar, eu quero o reconhecimento, o meu currículo fala por si, eu não preciso provar muita coisa para eles. Tenho fotos comprovando, diplomas… Eu quero só a minha carteirinha da CBJJ para poder lutar, quero competir no Jiu-Jítsu.

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Source: Portal

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