Coluna Treino Certo: os mitos e lendas de um treinamento no mundo das lutas; confira

Com a prática de anos, vamos passando por várias situações no meio do treinamento, vamos vendo coisas novas, coisas inusitadas (para não falar esquisitas), coisas erradas… O principal é sabermos tirar proveito de tudo, estarmos sempre de olho e aprender. Pois até aprender coisas ruins é válido, pois aí sabemos o que não devemos fazer.

As lutas se caracterizam por terem conhecimentos que são passados de geração a geração, quase que como uma “relíquia de família”. Os professores fazem com seus alunos o que os professores deles fizeram com eles (inclusive, esse foi parte do meu TCC), inclusive na parte técnica. As principais escolas tendem a ter e a seguir algumas características técnicas. E isso gera muitas teorias, muitas lendas no treinamento de lutas. É tipo aquele: “fizeram comigo e eu não morri”. E no treinamento físico, não ficamos muito atrás… Até mesmo pelo fato de ter virado moda, muita gente resolveu trabalhar na área só tendo como embasamento um diploma na área de Educação Física.

É comum vermos (tanto no treino de luta quanto no treino físico) atividades que tem como fator principal o desgaste físico, não tendo correlação nenhuma com a atividade ou objetivo principal.

Durante os meus cursos, sempre recomendo que, ao vermos algo diferente, se pergunte o para o que aquilo serve, e tenha uma resposta eficaz, resposta como: “Isso puxa bastante”, “força muito”, “porque é bom”, “dói”… Não servem para que aquilo faça parte da sessão de treinos. Outro dia, escutei um líder de uma grande equipe com a seguinte teoria: “Se o atleta fez o treino dele todo pesando 93kg (pesado) e desidrata para 88kg para lutar de meio pesado, vai dar ao corpo dele mais aporte de sangue e oxigênio, fazendo com que o rendimento melhore, pois o corpo estava acostumado a trabalhar com 93kg e agora com 88, terá um bônus de 5kg, ou seja, vai bombear mais do que precisa e o rendimento ficará melhor”. Eu quase rasguei meu diploma e comi com sal e pimenta na hora… Se o líder da equipe acredita nisso, quem dirá os atletas da mesma.

Se pararmos para observar, estamos cercados de pequenas lendas durante toda a sessão de treino: alongar antes do treino, alongar até “rasgar”, subir escada correndo aumenta o gás, utilizar corridas para melhorar o condicionamento específico, utilizar pegadores em forma de quimono melhora a pegada, trabalho com elásticos para melhorar potência (o elástico aumenta a carga conforme é esticado, ou seja, ele freia o movimento) e por aí vai… Um dos que eu nunca entendi é tocar a barra no chão em todas as repetições do terra. Para quê se faz isso? Nunca pararam para pensar que, ao fazer isso temos, que retirar o peso da inércia novamente? E além disso, o trabalho de “freio” da musculatura fica prejudicado?

Quem conhece e acompanha meu trabalho, sabe que sempre opto pelo simples, muito bem feito, levo as leis do treinamento esportivo a sério (especificidade e individualidade principalmente), não tem invenção, não tem training mask, não tem pneu, não tem exercícios mirabolantes, mas tem resultado!

Revejam seu treinamento, procurem os pontos falhos, veja a organização e a execução do mesmo, e sempre procurem alguém capacitado, que entenda de treinamento esportivo e que entenda da modalidade esportiva. Muitas vezes os resultados passam a aparecer não pelo que você começa a fazer de novo, mas sim pelas coisas erradas e lendas que você deixa para traz.

Entrem em contato e adicionem as redes sociais! www.itallovilardo.com – Instagram @itallovilardo.

Itallo Vilardo, preparador físico especializado em lutas, faixa preta 3o de Jiu-Jitsu.

Source: Tatame

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