Jair Lourenço relembra triste história de jovem talento que virou personagem do ‘Linha Direta’: ‘Um dos melhores lutadores que eu já vi’

Líder da Kimura, Jair Lourenço já revelou diversos talentos no Rio Grande do Norte – Foto: Marcelo Alonso

Num dos mais de 100 casos e causos do livro “Por Trás do Octógono”, lançado em agosto, o jornalista Marcelo Alonso relembra a história do ex-lutador Eli Soares, um fenômeno das artes marciais que teve sua carreira interrompida após cometer um crime que foi tema do programa policial “Linha Direta” no ano de 2001. Na época em que se entregou à polícia, o potiguar estava prestes a assinar um contrato para lutar contra Murilo Ninja no Japão. Confira a história:

De promessa das artes marciais a personagem do Linha Direta

Em maio de 2000 fui a Recife cobrir o WVC 10 e assisti à consagração de um grande talento do Vale-Tudo nordestino, o peso leve Eli Soares. Após vê-lo vencer com tranquilidade três oponentes de seu peso na mesma noite, fiquei sabendo por seu professor, Jair Lourenço, que Eli fizera o mesmo num torneio absoluto em Natal alguns meses antes. Não tive dúvida em apresentar Eli como promessa do Vale-Tudo nordestino nas matérias que fiz para a Tatame, Kakutougi Tsushin e Full Contact.

No mês seguinte, Carlson Gracie me ligou dizendo que precisava de um lutador peso leve para lutar com Claudionor Fontinelli na primeira edição do seu evento Heroes, dali a quinze dias. Passei o contato de Jair Lourenço, e seu aluno, conforme imaginava, não só aceitou a luta em cima da hora, como venceu Claudionor Fontinelli com um mata-leão no primeiro round.

Seis meses depois, porém, eu e Carlson fomos surpreendidos com um telefonema de um repórter da TV Globo querendo nosso depoimento para o programa Linha Direta sobre “A Fera do Nordeste”. Para quem não se lembra, o Linha Direta era um programa de enorme audiência, transmitido após a novela das oito, todas as quintas-feiras (entre 1999 e 2007). A atração apresentava crimes bárbaros que tinham em comum o fato de os criminosos estarem foragidos. Durante o programa o público era instado a ligar dando informações que pudessem levar ao seu paradeiro.

Mesmo sem saber do que se tratava, Carlson, que já planejava organizar a segunda edição de seu evento, me passou uma tremenda reprimenda pela indicação. “Tu é um poderoso da pesada, hein, Marcelo! A luta já tem o filme queimado e você ainda me arruma um assassino pra lutar no meu evento?!”.

Marcamos para dar nossos depoimentos na academia de Carlson Gracie em Copacabana deixando claro que só conhecíamos o Eli por seu excelente currículo de lutador. O que de fato era verdade. Já pensando na edição do programa, o repórter tentou tirar de nós algum adjetivo pejorativo tipo “frio”, “calculista”, mas não arrumou nada. Eu e Carlson só falamos do que podíamos atestar, a qualidade e o talento do Potiguar como lutador.

Eli acabou sendo preso logo após a exibição do programa e pagou por ter matado um garçom após uma briga de rua quando feriu a vitima ao aplicar uma queda que o fez cair de cabeça no asfalto. Depois de ver a luta socializar e tirar tantos talentos do mal caminho, foi triste testemunhar o processo inverso com um garoto que certamente tinha tudo para dar muitas glórias ao MMA brasileiro, assim como Renan Barão, Claudia Gadelha, Jussier Formiga e diversos outros talentos do Rio Grande do Norte lançados no UFC pelo mestre de Eli, Jair Lourenço.

Além do livro

Eli Soares fez parte da Kimura no início de sua carreira – Foto: arquivo pessoal

Atualmente, Eli Soares, já com 40 anos de idade, se encontra em liberdade após cumprir a pena imposta pelo júri popular. Devido aos anos de reclusão, já não tem mais idade para se dedicar à carreira de atleta e, embora dê uns treinos de Jiu-Jítsu de vez em quando, sua vida hoje é dedicada à igreja. Em bate-papo com o PVT, seu ex-treinador Jair Lourenço lamentou o desperdício de um jovem talento que ele acredita que, se não fosse pelos erros, hoje poderia ser uma das grandes estrelas do MMA.

“O Eli Soares foi um dos melhores lutadores que eu vi na minha vida. Naquela época a gente não tinha apoio de nada, e ele conseguia lutar tanto no Jiu-Jítsu quanto no MMA, e com destaque. No Vale-Tudo ele nunca perdeu uma luta, venceu três torneios, sendo dois até 80kg – e ele lutava com 73kg – e um peso aberto. Tenho certeza que se o Eli alcançasse essa era do MMA moderno ele estaria milionário, porque ele tinha tudo o que as pessoas gostam de ver: muita agressividade e técnica.”, declarou o líder da equipe Kimura.

 “Por Trás do Octógono”

Esta e mais de 100 outras histórias dos bastidores do mundo da luta estão no livro “Por Trás Do Octógono” – escrito pelo jornalista Marcelo Alonso em parceria com o Canal Combate -, que está disponível para compra nas principais lojas do país, assim como o livro “Do Vale Tudo ao MMA – 100 Anos de Luta”. Confira nos links abaixo:

Loja PVT: https://www.lojapvt.com.br/

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Source: Portal

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