Artigo: A preparação física da nova geração do MMA

Itallo Vilardo é preparador físico de atletas da Nova União – Foto: Divulgação

por Itallo Vilardo – Preparador físico especializado em lutas.

Os primeiros campeões do MMA foram forjados na época que o esporte ainda se chamava “Vale Tudo”, praticamente todos os atletas vinham de uma modalidade esportiva distinta,e após se consagrarem na sua modalidade migravam para o “Vale Tudo”. Tivemos Murilo Bustamante, Pedro Rizzo, Minotauro, Demian Maia e diversos atletas que se tornaram campeões nas suas respectivas modalidades antes de ingressarem no MMA. Não é à toa que muitos deles começaram a competir no MMA com idades avançadas, perto dos 30. Se conversarmos com lutadores de Jiu-Jitsu que migram para o Mixed Marcial Arts, vamos ver que muitos se acham velho quando estão perto dos 28, 29 anos para a arte suave, mas se acham novos para o MMA.

E agora começamos a ver os atletas que já começaram direto no MMA, não tendo mais uma luta como base, atletas que vão de 17 a 20 anos que já sonham com o futuro dentro do Cage. Essa é a nova geração das lutas. Esses jovens muitas vezes já chegam a academia querendo praticar o MMA. E como é feito o trabalho com esses novos praticantes? Trabalho técnico, tático, físico… tudo o que eles puderem absorver será levado durante toda a vida competitiva deles, o lastro criado será fundamental para a carreira.

Vou usar como exemplo três jovens atletas da equipe Nova União, os quais sou o responsável pela parte física, e de certa forma de aconselhamento: Pedro Falcão, 25 anos – com um cartel 11v-2d -, e os irmãos Kauã Fernandes, 21 anos (3v-0d) e Kauê Fernandes, 22 anos (3v-0d). Cada um desses atletas tem características únicas, tanto físicas (altura, envergadura, força, biótipo) quanto técnicas (modalidade preferida, técnicas, combinações, movimentação) e tudo isso deve ser levado em conta na hora do treinamento.

Na parte técnica, deve-se sempre levar em consideração que por mais que já sejam atletas profissionais, eles ainda estão aprendendo uma gama de movimentos e golpes, quanto mais velho menos informações técnicas eles conseguem absorver, por isso a importância de um bom trabalho de base. A definição do estilo de luta e movimentação deve vir do próprio atleta, com o trabalho de lapidação feito pelo técnico da modalidade. Atletas formados (mais velhos) já apresentam essa característica construída, e com isso passam a trabalhar mais na parte de lapidação.

Já na parte física, todo o lastro construído vai ser levado para a vida competitiva dele, saber trabalhar valências como força, resistência, potência muscular vão transformar toda a característica técnica dele e esses atributos serão levados para toda sua vida competitiva. Um atleta de 30 anos que nunca foi muito explosivo, dificilmente se tornará explosivo, mesmo com um trabalho muito bem feito.

Os irmãos Kauê e Kauã possuem um talento muito grande para as lutas, um ótima envergadura e uma boa capacidade aeróbica, melhorar as capacidades físicas de resistência, e fortalecimento articular, é de fundamental importância para o futuro desses atletas, pois atuam como alicerces para o futuro deles, juntamente com um trabalho de força bem estruturado, fará total diferença na carreira deles daqui à 10 anos.

Já o atleta Pedro Falcão, que apresenta uma estrutura menor, mas com uma excelente mobilidade, o objetivo maior passa a ser o trabalho de força estrutural completa, deixando ele forte, mais sem perder a velocidade, mais uma vez a força adquirida com ele, fará diferença quando estiver mais velho, isso que se chama de lastro fisiológico. Se temos um atleta com problemas de controle de peso ainda quando jovem, é fácil saber que ele ficará pior quando mais velho. A melhor coisa é criar um trabalho de ganho muscular fazendo com que esse atleta suba naturalmente de peso e se adeque melhor a categoria de cima.

O maior trabalho com os jovens talentos é na parte motivacional e “doutrinação”. Vivemos em um meio que existem muitas lendas sobre treinamento, treinos ao máximo, sem intervalos, corridas sem fim… O atleta jovem ainda consegue suportar uma carga alta de treinos, o problema é o preço que ele vai pagar quando estiver mais velho, por isso a importância que dou ao preparador físico conhecer a modalidade a fundo. Direcionar o atleta para o que ele precisa, dar a ele somente o que é necessário e treinar pensando em sua carreira são os fatores fundamentais. Não devemos trabalhar pensando no presente, naquele momento. Sempre “devagar e longe”, criando lastros e base.

www.itallovilardo.com

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