Fabio Gurgel fala sobre as consequências do Jiu-Jitsu se tornar um esporte olímpico

Fabio Gurgel não é um entusiasta do Jiu-Jitsu olímpico. Reprodução YouTube

O Jiu-Jitsu é um dos esportes que mais crescem no mundo. Desde as primeiras competições – principalmente a partir da década de 90 – praticantes, atletas e fãs do esporte sempre torceram para que a arte suave fizesse parte do programa olímpico. Se o Skate, o Surfe e o Caratê foram inseridos nos Jogos de Tóquio 2020, por que o Jiu-Jitsu não poderia ser a próxima modalidade a fazer parte de uma Olimpíada?

Tetracampeão mundial de Jiu-Jitsu e líder da Alliance, uma das maiores equipes do mundo, Fabio Gurgel já foi um entusiasta dessa ideia, mas hoje não acredita mais nesse caminho.

“Uma das perguntas que mais escuto do público em geral é: quando o Jiu-Jitsu vai se tornar olímpico? Isso era um sonho de todo atleta na minha época – e ainda deve ser de muitos hoje -, porém, as pessoas que mais defendem o Jiu-Jitsu na olimpíada geralmente são aquelas que são apenas praticantes e amantes da arte, e que, provavelmente, não participariam de uma olimpíada caso ela acontecesse. Amantes do Jiu-Jitsu ficariam felizes em ver nosso esporte com uma exposição mundial, mas, e as consequências disso, vocês já pararam para pensar?”, questionou Gurgel em seu site oficial.

O faixa-preta apontou alguns motivos que hoje, em sua opinião, afastam essa possibilidade.

“O que é ser um esporte olímpico no Brasil? Beneficiar talvez 20 ou 30 atletas que disputariam no máximo 10 vagas disponíveis a cada 4 anos? E o restante? E as academias que hoje existem e se tornaram o negócio de tantos que escolheram viver do Jiu-Jitsu? Isso simplesmente terminaria por completo, pois o comando do esporte iria para o governo, ministério dos esportes e todas as camadas da burocracia estatal que a cada dia se mostra mais ineficiente”, disse o general, que exemplificou como poderia ser essa mudança.

“Imaginem um político desses que temos por ai regulamentando nosso esporte e dizendo como ele deve funcionar sem jamais ter vestido um kimono ou ter dado uma suada no treino? É isso que acontece com tantos outros esportes, principalmente os de arte marcial. Quem são as pessoas bem sucedidas nesse projeto olímpico em outras artes marciais? Quais as academias sobreviveram a esse processo de estatização do esporte?”.

Gurgel acredita em um outro tipo de modelo para o Jiu-Jitsu. Ele aposta que, mesmo sem se tornar um esporte olímpico, a arte suave será em poucos anos a arte marcial mais praticada no mundo.

“Hoje o Jiu-Jitsu tem muitas dificuldades e coisas a serem melhoradas. Porém, nós é que decidimos o rumo de nosso esporte e, principalmente, de nossos negócios. Só depende de nós o nosso sucesso ou fracasso, e tenho convicção que transformaremos o Jiu-Jitsu na arte marcial mais praticada do mundo em alguns anos”.

Para encerrar, Gurgel apontou os benefícios, tanto para atletas quanto para professores, de se manter o mesmo arquétipo.

“Quanto aos nossos atletas, eu não me preocuparia tanto. Hoje eles podem dar seminários e ganhar milhares de dólares ao ano ensinando e replicando suas experiências, o que fortalece a corrente de aprendizado e bons exemplos criando ídolos para as próximas gerações e ajudando o Jiu-Jitsu a se tornar cada vez mais uma possibilidade para quem quer se dedicar profissionalmente a ele”.

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Source: Portal

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