Poliana Botelho detalha estratégia em estreia no Ultimate e aponta: ‘Sou uma atleta completa’

Por Yago Rédua

No começo de outubro, a peso-palha Poliana Botelho fez sua tão aguardada estreia no Ultimate. A lutadora da Nova União encarou Pearl Gonzalez no UFC 216, em Las Vegas (EUA), e precisou ser estratégica para vencer o confronto. Oriunda do Kickboxing, a lutadora viu a oponente, representante do Grappling, travar a luta na grade. Contudo, a brasileira não deixou de atacar em nenhum momento e venceu por decisão unânime dos jurados.

“Eu acreditava que ela iria travar a luta, sim. Se você olhar o histórico dela, todas as lutas terminam com finalização por armlock e as minhas por nocaute. Então, éramos o oposto. Eu também acreditava pelo fato de a minha única derrota ter sido por alguém que travou o meu jogo. Na época que eu tive essa derrota, eu não tinha experiência nenhuma no Wrestling e nem no Jiu-Jitsu. Hoje em dia, eu treino muito. Eu estou bem treinada. Atualmente, eu sou uma atleta completa”, contou Poliana à TATAME.

A lutadora revelou ainda que seguiu as orientações do técnico Dedé Pederneiras durante o confronto. A brasileira explicou como foi o período antes de estrear no Ultimate, o tempo sem luta, os problemas pessoais, as lesões e como se aprimorou em artes marciais como o Wrestling e Jiu-Jitsu. Poliana deixou claro que não tem “rixa” com Paige VanZant, no entanto, desafiou “12 Gauge”.

Confira a entrevista na íntegra com Poliana Botelho:
– Estratégia de atacar, enquanto Peal em travava a luta

Então, eu sou uma lutadora striker, gosto de trocar porrada. Ela estava me agarrando, estava dando até uma agonia. A leitura de luta foi essa: vou continuar atacando, mesmo ela me travando. Quando ela travava a minha perna, eu continuava golpeando. A estratégia que eu mesma usei, com o Dedé (Pederneiras) falando para eu não cair. Dei continuidade nas cotoveladas. O momento que eu tive no terceiro round, em fazer uma luta mais solta, foi quando eu implantei um pouco de coisas. O braço saiu levantando e é o que a gente fica mais feliz.

– Recuperação após a vitória no UFC 216

A minha mão e o meu cotovelo foram coisas pequenas. Foram só de pancadas mesmo, meu cotovelo chegou a ficar roxo, meio inchado. Nem coloquei gelo e nem está doendo mais. Na verdade, foi no dedo. Porque eu estava sem condições de bater nela ali na grade, então, eu bateia com o dedo, porque não dava para virar a mão. Mas, é só colocar gelo mesmo e já estou preparada para a próxima luta (risos).

Poliana Botelho, mesmo com o antijogo da oponente, golpeou e venceu (Foto: Getty Images)

– Estreia no Ultimate após longo período

Estrear no maior evento do mundo acho que é o sonho de qualquer lutador, né. Então, acho que eu mostrei muito a minha felicidade. Na entrada da luta, era o que eu mais queria era estrear. Não consegui impor o meu jogo, mas trouxe a vitória para o Brasil. Acho que foi o dia mais feliz da minha vida.

– Obstáculos e amadurecimento antes de estreia

Eu demorei praticamente dois anos (para estrear no Ultimate). Eu vim de algumas lesões também. Lesionei o ombro, não precisei operar, mas fiquei na fisioterapia direto mesmo. Quando o ombro melhorou, quebrei a mão. Recuperei a mão, quebrei no mesmo local de novo. Além disso, ainda tive duas perdas familiares. Perdi o meu sobrinho de quatro meses e meu primo. Foi um 2016 muito complicado. Eu sempre falo que foi de vários obstáculos, onde eu passei por muita coisa pessoalmente e profissionalmente. Acredito que hoje, eu sou uma pessoa muito mais forte. Como eu disse, a felicidade que eu estava. Me senti leve, estava muito feliz em estar ali. Consegui impor o meu jogo, mais o menos, mas mostrei felicidade em estar no octógono.

– Período para aprimorar e evoluir como atleta

Eu tentei aprimorar tudo. Eu sou uma atleta que treina todas as artes. Eu treinei Kickboxing, que é a minha arma principal mesmo. Meu Wrestling e o meu Jiu-Jitsu melhoraram demais. Eu não paro de treinar. Por mais que tenhamos nosso carro-chefe, acho que temos que ser um atleta completo. Então, segui treinando tudo, mesmo com a mão direita quebrada, batia manopla só com a mão esquerda. Fazia esteira, bicicleta. Tudo que dava para treinar, estava treinando. Fui me aprimorando, vendo lutas também. Mantive a cabeça sempre ativa.

– Vontade de encarar Paige VanZant

Eu tenho muita vontade de luta com a Paige VanZant, não sei se ela topa, mas eu tenho vontade de lutar com ela. Estou preparada para lutar com qualquer pessoa que o UFC colocar para mim e muito bem treinada. Eu não tenho nenhuma rixa contra ela (Paige), mas o único recado que eu tenho contra ela é que eu quero lutar com ela (risos).

Source: Tatame

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