‘Vitor deveria ser grato à luta com Lyoto, e não entendê-la como um problema’, declara Vinicio Antony

Ex-treinador de Belfort, Vinicio Antony estará ao lado de Lyoto na luta do UFC Rio – Foto: Leonardo Fabri

Vinicio Antony é um personagem importante e que pode desequilibrar a luta entre Vitor Belfort e Lyoto Machida, que acontece na próxima edição do UFC Rio, no dia 12 de maio. Hoje treinador de Lyoto, o carateca, que também é formado em kickboxing e Jiu-Jitsu, coordenou o camp de treinamento de Belfort nas lutas contra Dan Henderson (em 2015) e Ronaldo Jacaré (em 2016).

Em entrevista ao PVT, Vinicio Antony, que pode ser o fiel da balança neste duelo, abriu o jogo e revelou até uma mensagem que enviou a Vitor Belfort depois que a luta foi oficializada pelo UFC.

“Não conversei mais com o Vitor após a confirmação da luta. Fiz meu papel de homem, mandei uma mensagem para ele. Disse assim: Não sou matchmaker, pessoalmente não casaria esta luta, preferiria que ela não acontecesse. No entanto, profissionalmente falando, ela faz todo o sentido. É uma luta que vai levar para dentro do octógono duas lendas do MMA brasileiro e mundial, e nada mais justo que o Vitor – que praticamente inventou o MMA num tempo em que quase todo mundo era unidimensional – fazer uma grande despedida num palco maior, no Rio de Janeiro, onde ele nasceu e foi criado, com outro grande ícone do esporte, e não contra um garoto que vai tentar usá-lo como degrau. Pensando por esse aspecto profissional ,esta luta faz todo o sentido e o Vitor deveria ver como o Lyoto está vendo, como um grande presente, como oportunidade de lutar com outro grande campeão, também ex-campeão do UFC, que também passou por uma situação difícil na carreira e vem de vitória, assim como o Vitor. Tem todos os elementos para ser uma grande despedida para o Vitor, por isso ele deveria ser grato, e não entender como um tipo de problema. Se ele entende como um problema, realmente não há o que se fazer. Foram essas as minhas palavras para o Vitor, colocando que em nada interferia na relação pessoal que a gente criou. A relação profissional infelizmente já estava deteriorada, mas na relação pessoal, para mim, em nada interfere, e espero que para o Vitor também não. O momento pré-luta é sempre tenso, como sempre foi para o Vitor, que sempre encara esses momentos com uma tensão fora do normal, então ele provavelmente deve estar maximizando essa história. Mas assim que passar e essa etapa da vida tiver sido concluída, acredito que tudo volte ao normal”.

Vinicio Antony treinou Belfort pela última vez em 2016 – Foto: Arquivo Pessoal

Conhecedor dos segredos e das falhas do ex-pupilo, Vinicio não vê problema em usar tudo o que sabe agora do outro lado, revela um desentendimento profissional entre eles, mas garante que em nada interfere no relacionamento pessoal.

“Sim, eu conheço bastante as falhas do Vitor Belfort. E não, não há peso na consciência, porque o que estou fazendo é um trabalho profissional. Existe todo um relacionamento profissional que foi construído. Eu fui amigo dos dois durante muito tempo, o Lyoto é um amigo da vida inteira, o Vitor foi uma pessoa que se aproximou de mim ao longo da carreira por interesse profissional, e nós traçamos uma relativa amizade. Por conta de desentendimentos profissionais no último camp que eu participei, para a luta contra o Jacaré… como headcoach, coordenador do camp, eu observei uma série de erros que estavam sendo cometidos por todo o corpo técnico do camp, mas principalmente pelo Vitor, pela atitude que ele havia assumido, e para mim, se aquilo continuasse acontecendo, seria determinante para uma derrota. Daí tivemos um desentendimento profissional, eu cumpri meu contrato, fui à luta com ele, mas nos desentendemos ali e desde então não voltamos a trabalhar juntos. Portanto, há praticamente dois anos não trabalho com o Vitor, então não vejo problema eu prestar meus serviços profissionais a outro lutador, ainda mais um atleta que é meu amigo, que é o caso do Lyoto. Não há nenhuma crise de consciência e não há nada pessoal contra o Vitor. Isso a gente vê em todos os esportes… o atleta do Flamengo amanhã pode ser treinador do Vasco e ele vai tentar capitalizar em cima do que ele tiver de informação a respeito do adversário, isso é notório, até mesmo no MMA, onde lutadores mudam de equipes, de camps e de treinadores. Portanto, não vejo problema”.

Ainda relacionado ao que sabe dos dois lutadores, o treinador acredita que o fiel da balança no duelo pode ser uma “maior motivação” da parte de Lyoto.

Lyoto e Vinicio se conhecem de longa data – Foto: Arquivo Pessoal

“O maior diferencial que pode haver em relação ao Lyoto neste combate é exatamente a parte motivacional. O Lyoto é um atleta muito jovem ainda, apesar de ser um homem maduro prestes a completar 40 anos, é um atleta que tem uma idade biológica jovem, tem pouquíssimas lesões, nenhuma grave, uma condição atlética privilegiada, uma condição cardiovascular acima da média e a gente está sanando o problema da força, como eu falei. Estamos transformando o Lyoto em um atleta melhor. Acompanhando as últimas lutas do Vitor, tendo sido headcoach em dois camps recentes, contra o Dan Henderson e contra o Ronaldo Jacaré, eu vejo um Vitor já desmotivado, já cansado dessa longa estrada que ele trilhou. Como todos sabemos, o Vitor é uma lenda, um ícone, ele praticamente inventou o MMA, mas nos últimos anos ele não vem mais apresentando aquele ímpeto, aquela garra necessária para figurar entre os melhores lutadores do mundo. Já o Lyoto mostra ânimo e vigor renovados após essa vitória sobre o Eryk Anders, e esse será o grande trunfo em relação ao Vitor Belfort, uma vontade ferrenha, inabalável de voltar a figurar entre os melhores do mundo”.

“Por fim, Vinicio Antony revelou que a equipe está dando uma ênfase à preparação física de Lyoto, que deve chegar mais forte para o UFC Rio.

Estamos trabalhando em cima de deixá-lo mais forte, mais bem preparado fisicamente, tendo em vista que nas últimas lutas, a meu ver, o Lyoto se apresentou em déficit na questão física. A gente vê que na categoria ele era um lutador mais franzino, com menos pujança. Antes ele estava dando ênfase a um trabalho só de agilidade, e deixando um pouco de lado o trabalho de força, que a gente sabe que é preponderante para atletas de alto rendimento em qualquer modalidade esportiva. Então, desde a última luta, contra o Eryk Anders, a gente está fazendo, além do trabalho mental – que é nossa linha no Karatê -, um trabalho para transformá-lo em um atleta superior”.

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Source: Portal

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